Afro XXI aprova diretrizes de combate ao racismo e ações afirmativas para afrodescendentes
A Declaração de Salvador, documento que contém diretrizes para o combate ao racismo e ações afirmativas de reparação para populações afrodescendentes, foi aprovada neste sábado (19) pelos 14 chefes de Estado, reunidos no Palácio Rio Branco. As propostas contidas na declaração também vão servir para orientar a Organização das Nações Unidas (ONU) na aplicação de programas de promoção da igualdade nos países iberoamericano.
A reunião, aberta com as saudações da presidente da República, Dilma Rousseff, e do governador Jaques Wagner, contou com as presenças de três presidentes: Jorge Carlos Fonseca, de Cabo Verde; José Mujica, do Uruguai, e Alpha Condé, da República da Guiné. Estiveram presentes também os primeiros-ministros do Uruguai, São Vicente e Granadinas; vice-presidente da Colômbia; ministros de Cuba, Peru e Benin e Angola; além de representantes de Honduras, Venezuela, Costa Rica, Nigéria, Barbados e República Dominicana.
A Declaração de Salvador é o resultado dos três dias de debates, ocorridos durante o Encontro Iberoamericano do Ano Internacional dos Afrodescendentes, que elaborou a Carta de Salvador que define para os próximos dez anos ações conjuntas de promoção a igualdade e de combate ao racismo.
No documento, os chefes de Estado reconheceram que, apesar do progresso atingido em diversos países da América Latina e Caribe para promover os direitos dos afrodescendentes, ainda há grandes desafios para assegurar a inclusão total desse segmento da população em condições igualitárias na vida social, cultural, econômica e política. Além disso, se comprometeram a combater a exclusão social e a marginalização identificando causas básica e fatores.
De acordo com estimativas do Banco Mundial, do UNICEF e da CEPAL, entre 150 e 200 milhões de habitantes da América Latina e do Caribe são afrodescendentes, correspondendo a aproximadamente 30% a 35% da população regional. No Brasil, de acordo com dados do último Censo de 2010 conduzido pelo IBGE, 97 milhões de pessoas ou 50,7% da população declararam ter ascendência africana.
Durante o encontro, a presidente Dilma Rousseff defendeu o fortalecimento das relações entre o Brasil e países da África. “Temos, portanto, essa relação, com países da África, que tem que ser cada vez mais forte. Estamos olhando para a raiz da nossa cultura”, afirmou.
O presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, ressaltou que o país tem avançado em diversos aspectos contra qualquer preconceito racial e de gênero, garantindo principalmente liberdade religiosa e cultural. “Não podemos esquecer que as maiores violências relacionadas ao racismo são contra a cultura e a religião afrodescendentes. Aqui, neste fórum, podemos contribuir contra o racismo e a xenofobia, garantindo mais direitos aos afrodescendentes”, enfatizou.
Fonte: Secom Ba

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