Secretaria de Estudos Estratégicos também desmente a tese de que a rotatividade é grande porque os trabalhadores pedem demissão

Quem perde o emprego em curto espaço de tempo não consegue pagar um curso ou receber qualificação oferecida pelo empregador e, em muitos casos, a pessoa que o substituir vai ganhar salário menor, o que forma um círculo vicioso.

“Isso conspira contra a ascensão desses trabalhadores”, disse o ministro-chefe da Secretaria, Moreira Franco. “É quem está no limite de retornar à pobreza”, adverte Alessandra Ninis, assessora técnica da pasta.

Segundo o estudo, entre a parcela que ganha até dois mínimos (teto de R$ 1.090), a rotatividade atinge 57%. Ou seja, a cada 100 pessoas que conseguem emprego de até dois salários mínimos no período de um ano, outras 57 são demitidas. Já no quadro geral das faixas salariais, o índice é de 40%.

Outro dado fundamental apresentado pelo estudo desmente a versão de que a rotatividade é alta porque, em tempos de mercado de trabalho aquecido, a maioria das pessoas pediria demissão para ganhar mais em um novo emprego.

Como pode ser conferido no gráfico abaixo, as percentagens de pessoas na faixa de até dois salários mínimos que são demitidas sem justa causa (81%) e aquelas que pedem demissão (84%) são muito próximas.

Os números também apontam que, ao longo de um ano, o mesmo trabalhador pode viver as duas situações. Isso confirma que é determinante para a alta rotatividade do mercado a postura dos patrões que demitem para reduzir custos. Por isso a CUT defende a ratificação da Convenção 158 no Brasil.
 
Fonte: CUT Brasil

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